Falta de guarda-vidas durante a semana volta a preocupar moradores e turistas na Orla de Camaçari

Dois casos recentes de afogamento, incluindo a morte de três pessoas, reacendem o debate sobre prevenção e segurança nas praias do município A segurança dos banhistas nas praias da Orla de Camaçari voltou a preocupar moradores, comerciantes e turistas após dois episódios de afogamento registrados em um intervalo recente, ambos envolvendo pessoas que entraram no mar para tentar salvar familiares. O primeiro caso aconteceu em abril, na região de Itacimirim, próximo à Barra do Pojuca. Uma criança entrou em uma área de forte correnteza e o pai e o tio tentaram retirá-la da água. A menina foi resgatada com vida por surfistas, mas os dois homens morreram. O local é conhecido pela influência das correntes provocadas pelo encontro do rio com o mar. O segundo episódio aconteceu em 22 de julho, também na Praia de Itacimirim. O turista Reginaldo Antunes Simões, de 44 anos, morador de Rio Verde, em Goiás, e funcionário da Caixa Econômica Federal, estava de férias com a família quando entrou no mar para socorrer o filho e um sobrinho que estavam em situação de risco. Segundo relatos de familiares, ele conseguiu retirar as duas crianças da água, mas acabou sendo levado pela correnteza e morreu. O Corpo de Bombeiros foi acionado e uma equipe do Grupamento de Operações Aéreas realizou o atendimento, mas Reginaldo não resistiu. Prevenção é o principal trabalho do guarda-vidas A discussão não está apenas no momento do resgate. Em reportagem anterior produzida pela Barra de Pojuca Oficial, profissionais que atuam na área, entre eles Denivaldo, do Projeto Social Boa Maré, e Lennon, salva-vidas com atuação no litoral baiano, destacaram justamente a importância da prevenção. O guarda-vidas não está na praia apenas para entrar no mar quando alguém começa a se afogar. Seu trabalho começa muito antes: identificar pontos de risco, orientar os banhistas, sinalizar áreas perigosas, observar as condições do mar e agir antes que uma situação de emergência aconteça. Quando a prevenção falha e o banhista já está em uma situação de afogamento, entra o resgate — que deve ser, justamente, o último recurso. É nesse ponto que moradores questionam a atual estrutura de segurança em alguns trechos da Orla de Camaçari durante os dias úteis. Quem protege o banhista durante a semana? Relatos de moradores e testemunhas divulgados após a morte de Reginaldo apontaram ausência de guarda-vidas em Itacimirim durante os dias úteis. A situação chama ainda mais atenção porque Camaçari possui 42 quilômetros de litoral e recebe moradores e turistas durante todo o ano. Em janeiro, a Prefeitura informou que contava com 91 guarda-vidas contratados e afirmou que os profissionais atuavam diariamente, durante os sete dias da semana. Diante dos relatos recentes, fica uma pergunta que precisa ser respondida pelos órgãos responsáveis: Como está funcionando, na prática, a cobertura de guarda-vidas nas praias da Orla de Camaçari durante os dias úteis? A comunidade quer prevenção A preocupação da comunidade de Barra do Pojuca e de outras localidades do litoral não é apenas com o atendimento depois que uma tragédia acontece. É sobre prevenir que ela aconteça. Uma bandeira indicando uma área perigosa, um profissional orientando os banhistas, um apito alertando alguém que está entrando em uma corrente de retorno ou simplesmente a presença de um guarda-vidas observando o mar podem fazer parte de uma cadeia de prevenção capaz de evitar uma emergência. Por isso, a Barra de Pojuca Oficial e o barradopojuca.com levantam novamente essa discussão e deixam aberto o espaço para que a Prefeitura de Camaçari, a Defesa Civil e os demais órgãos responsáveis esclareçam como está sendo organizada a segurança dos banhistas na Orla e quais medidas estão sendo tomadas para reforçar a prevenção durante toda a semana. Porque, quando falamos de segurança no mar, esperar a ocorrência para depois realizar o resgate não deveria ser o primeiro caminho. A prevenção precisa vir antes.